Eliant é para pessoas que querem viver com a diversidade cultural e liberdade de escolha na Europa:

em matéria de educação, reformas económicas e sociais, agricultura ecológica, complementares e Medicina Integrativa.

Nós sinceramente agradecer o grande apoio!

Quase 67.812 pessoas motivadas assinaram nossa petição no período de 23 de novembro de 2016 a 23 de Maio 2017.

Fig. 1: © xxxxxxx - fotolia.com

Nos EUA um terço de todas as crianças de 1 ano de idade têm acesso a um computador antes de saberem andar ou falar. Na Alemanha, 70% das crianças com idade entre 2 e 5 anos já se ocupam durante mais de meia hora por dia com um smartphone. O aplicativo mais comumente usado ​​por crianças de 6 anos é o Facebook. Todas as crianças em idade pré-escolar passam frequentemente mais de uma hora por dia em frente de uma televisão.

Parece estar a instalar-se entre muitos adultos a crendice que é inevitável promover entre as crianças uma habituação precoce à era digital, sobretudo porque renomadas figuras da política educacional realizam fortes investimentos financeiros nessa área. Nesse contexto, ainda mais alarmante é verificar como são ignorados os riscos e efeitos colaterais da tecnologia digital. Quanto mais jovens são as crianças, mais pronunciados resultam esses riscos e efeitos colaterais. Isto ocorre porque na fase da infância o cérebro encontra-se num estado mais dúctil e maleável – sendo assim muito mais vulnerável a falsos estímulos e influências perturbadoras.


© Patryk Kosmider - fotolia.com

Fig. 2: Isto não é nenhuma medida educativa, mas sim uma perigosa intervenção que vem contribuir para criar imobilidade, insuficiência de estímulo sensorial, e isolamento perante o meioambiente real. O mesmo vale para bacios com suporte para iPads. A criança fica sentada no bacio com o aparelho à sua frente, como se este tempo precioso também pudesse ser usado para aprender qualquer coisa. Também neste caso o dispositivo demonstra a sua inutilidade, pois distrai a criança da sua tão necessária vivência corporal nesta idade.

Conforme o gráfico abaixo mostra, os melhores investimentos educacionais na fase de jardim de infância (e ainda na fase da escola, mas depois menos) são aqueles de caráter construtivo e promotor da saúde, e não os investimentos em tecnologia digital. Segundo foi apurado, por exemplo as brincadeiras e os jogos com os dedos promovem habilidades matemáticas e o desenvolvimento do lóbulo cerebral frontal, enquanto que a ocupação com computadores e tablets não mostra qualquer efeito saudável. Os desempenhos mentais são realizados por áreas no cérebro que recebem os seus sinais a partir das zonas sensoriais e motoras ativadas.

© Manfred Spitzer

Fig. 4: Benefícios dos investimentos em educação:
Relação entre idade e rapidez de aprendizagem, ilustrada como uma diminuição dos benefícios dos investimentos em educação ao longo da biografia humana (Heckman, 2006). A curva mostra como a rapidez de aprendizagem diminui fortemente com a idade (quem já jogou "Memory" com uma criança de quatro anos de idade, conhece isto de primeira mão). Por esta razão, os políticos da educação pretendem aproveitar exatamente os primeiros anos de vida para um processo de aprendizagem  intensivo – e até para promover o convívio com as media! Mas esta é precisamente a abordagem que não leva a quaisquer investimentos construtivos na educação, conforme vai exposto nas seguintes considerações.

Investimentos construtivos em educação – o que é isso?

Uma das principais conclusões obtidas nas últimas décadas no domínio das pesquisas neurocerebrais é o fato que uma auto-atividade constitui o fator mais poderoso para as crianças ganharem destreza física e aprenderem a andar, falar e pensar. Isto decorre por tentativa-e-erro, em brincadeiras ao ar livre, por imitação, e em contato direto com outras pessoas. Se a criança tiver nas proximidades uma televisão ligada, isso vai perturbar o desenvolvimento da linguagem. O mesmo distúrbio ocorre devido a livros eletrónicos e CDs, que lêm histórias sozinhos, ou ainda o envolvimento com as media digitais. O fator mais importante para o desenvolvimento linguístico e intelectual das crianças é o diálogo com outras pessoas, o que pode inclusive tomar forma em uma leitura acompanhada por comentários. A regra de ouro é: Quanto mais contato, melhor. Ao entrarem para a escola, as crianças provenientes de uma classe social superior exibem uma riqueza de vocabulário superior da ordem de 30 milhões de palavras, em comparação com crianças oriundas de uma classe social inferior (Hart & Risley, 1995). Consequentemente, os seus centros cerebrais de linguagem estão melhor treinados e o posterior acesso a uma carreira de formação fica mais fácil.

Fig. 5: © Tatjana Posavec

Fundamentalmente vale o seguinte: Os cérebros não fazem quaisquer downloads! Eles desenvolvem-se sobretudo através de um uso ativo, com exercícios autónomos de observar, descobrir, examinar, sentir empatia e compreensão, escutar, tatear, cheirar e degustar – e ainda pensar, falar e agir. Tudo o que um ser humano faz, especialmente aquilo que ele sabe fazer por si próprio, está acompanhado por uma atividade cerebral construtiva. Esta utilização ativa do cérebro constitui o incentivo para o seu contínuo desenvolvimento, dia após dia.

Ao contrário de um computador com os seus módulos de processamento e memorização, no cérebro não há qualquer separação entre processamento e memorização. Quando o cérebro processa informações, ficam alteradas as conexões entre as suas células nervosas – e estas constituem a memória. Quanto mais um cérebro processou, mais ele também memorizou, e tanto melhor ele pode novamente processar. Quanto mais línguas uma pessoa sabe falar, mais fácil ela consegue aprender uma nova língua. Nesse processo, os centros cerebrais de linguagem não ficam "cheios". Pelo contrário, eles podem memorizar ainda mais, na medida do que já foi memorizado antes! Esta característica de uma memória paradoxal vale de modo geral. Quanto mais instrumentos musicais uma pessoa souber tocar, mais ferramentas ela saberá usar; quanto mais livros uma pessoa tiver lido acerca de determinado tema, mais facilmente ela poderá aprender a tocar um outro instrumento, ou usar outra ferramenta, ou ainda ler outro livro sobre o tema específico.

Fig. 6: © Kristin Gründler - fotolia.com
Fig. 7: © Tatjana Posavec

A atividade autónoma promove um desenvolvimento saudável do cérebro e do corpo. Também a capacidade de concentração, cuja deficiência frequentemente é sentida mais tarde na escola, é especialmente promovida durante o primeiro ano de vida. As crianças nas imagens mostram como isso acontece.

Por isso é importantíssimo promover na infância e na adolescência uma ampla educação, e particularmente desenvolver as capacidades sensoriais e motoras. Não há nada mais impróprio para o treinamento das áreas sensoriais e motoras do cérebro do que esfregar uma superfície de vidro com os dedos, sempre com os mesmos movimentos e sem qualquer diferenciação sensorial.

© Urachhaus Verlag

Fig. 8: Esfregar os dedos sobre uma superfície lisa desprovida de características não pode promover qualquer aprendizagem sensorial ou motora. Uma vez que os desempenhos mentais superiores são realizados por áreas do cérebro que recebem sinais de áreas sensoriais e motoras, o ato de passear com os dedos sobre um painel eletrónico sensível ao toque, simplesmente elimina as pré-condições para um pensar complexo.

© Urachhaus Verlag

Fig. 9: Quando se pede a uma criança de 4 anos para ela segurar uma agulha, um lápis, uma chave, um ovo ou um balde, ou para ela apoiar-se sozinha com um pau, a sua mão fará os necessários movimentos complexos de forma espontânea e sem qualquer esforço aparente. Isso é ainda automaticamente adaptado ao peso, tamanho e características das superfícies dos objetos. Nesse momento, todos os sentidos estão envolvidos.

Também a competência social não pode ser treinada em um tablet, mas sim através do contato direto com outras pessoas, sendo que cada uma delas constitui um caso único e não programável.

© Urachhaus Verlag

Fig. 10: Esta imagem mostra não só a atividade individual de uma criança, mas também o fato que um adulto dedica aqui o seu interesse à criança, e que a criança "sente-se bem" com a dedicação demonstrada, ficando assim estimulada para realizar o seu próprio atuar.

E quais são as consequências negativas de uma habituação precoce às media digitais?

Conforme já foi comprovado, as crianças que passam muito tempo em frente de uma televisão, ou que usam frequentemente as media digitais, exibem as seguintes perturbações e deficiências:

  • Perturbações no desenvolvimento da linguagem, e distúrbios de deficit de atenção (Zimmerman et al., 2007).
  • Um nível de educação significativamente mais baixo (Hancox et al., 2005).
  • Tendência para obesidade (Hancox et al., 2004).
  • Disposição para um comportamento criminoso – devido a traços de comportamento anti-social (Robertson et al., 2013).

  • O uso de uma consola de vídeo-jogos por crianças do ensino primário provoca rendimentos comprovadamente inferiores na aprendizagem da leitura e escrita, bem como problemas de comportamento no ambiente escolar (Weis & Cerankosky, 2010).

  • Quanto mais tempo as crianças de pouca idade passam em frente de uma televisão, tanto menor resulta a sua empatia emocional perante os seus pais e amigos (Richards et al., 2010).

  • O uso de smartphones por crianças provoca uma queda no desempenho escolar, menos satisfação com a vida, aumento de depressividade (Lepp et al., 2014), distúrbios de deficit de atenção (Zheng et al. 2014), miopia, distúrbios do sono, e comportamentos viciosos. Além disso, mais de 60% das crianças usuárias de smartphones têm medo de perder alguma informação ou acontecimento, medo de ficarem separadas dos seus aparelhos, e medo de perderem a conexão à rede digital. Estas aflições fomentam por sua vez um uso excessivo, o que pode facilmente resultar em um vício de dependência.

Os referidos efeitos são diariamente observados com preocupação por pais, educadores e professores, e já foram cientificamente comprovados. Em contrapartida, não existem quaisquer resultados científicos fiáveis que comprovem os frequentemente citados efeitos positivos da tecnologia de informação digital sobre o desenvolvimento físico, anímico e espiritual das crianças. Em suma: os danos foram comprovados, mas os benefícios não!

Fig. 11: © fotolia, Mina Stefanovic

Não assumimos aqui qualquer atitude de hostilidade perante a tecnologia. O que nos move é a necessidade de proteger a esfera do desenvolvimento infantil, em nome do bem-estar das crianças e do direito humano à infância, de modo que os jovens e adultos possam mais tarde ser usuários competentes da tecnologia – ou seja, nos lugares onde ela é legitimamente aplicada.

A Coreia do Sul está a liderar como exemplo!

Há vários anos que pediatras nos EUA estão a alertar para esses riscos e efeitos colaterais, exigindo que as crianças de pouca idade não tenham acesso às media digitais, e uma clara redução dos tempos em que elas ficam expostas à sua influência. Na Coreia do Sul os políticos responsáveis pelo setor da educação já ofereceram uma resposta exemplar. A Coreia do Sul tornou-se o primeiro país onde o governo, já a partir de 2015, começou a aplicar leis que protegem ativamente as novas gerações dos piores efeitos da nova tecnologia.

Fig. 12: © xxxxxxx - fotolia.com

Quem tem menos de 19 anos de idade e compra um smartphone, precisa obrigatoriamente de ter instalado no aparelho um software que (1) bloqueia o acesso a conteúdos violentos e pornográficos; (2) regista o tempo de uso diário do smartphone e envia uma mensagem para os pais quando um valor pré-determinado é excedido; (3) interrompe automaticamente a conexão com servers de jogos depois da meia-noite.

Ora, exatamente no país onde a tecnologia digital está mais desenvolvida foi reconhecida a importância de proteger a próxima geração dos riscos e efeitos colaterais dessa tecnologia. A Coreia do Sul possui a infraestrutura digital mais avançada do mundo, sendo inclusive o maior fabricante de smartphones a nível mundial. Na faixa etária entre 10 e 19 anos, mais de 90% da população coreana sofre de miopia, e mais de 30% das crianças têm uma dependência viciosa de smartphones.



E nós? Queremos ficar à espera que isso venha bater também à nossa porta?

A questão tem a ver com todos nós!

Não podemos entregar a saúde e a educação da próxima geração – e assim o nosso futuro – nem os pilares da nossa sociedade liberal-democrática, aos interesses económicos das empresas mais ricas do mundo! Por isso, as nossas instituições educacionais, especialmente as creches e os jardins de infância, devem permanecer libertas dos já comprovados efeitos negativos que os produtos dessa tecnologia projetam sobre os nossos filhos! Trata-se essencialmente de defender os valores fundamentais da nossa sociedade perante um poderosíssimo lobby económico. Todos devem participar nisto! Quem não intervém, está a agir de forma irresponsável perante a próxima geração – uma geração que já vai receber de nós suficientes problemas: dívidas, conflitos e um planeta inundado por resíduos.

Fig. 13: © Tatjana Posavec

AGRADECEMOS SINCERAMENTE

a qualquer cidadão ou membro consciencioso da sociedade civil, qualquer profissional, ou qualquer instituição, que venha apoiar esta petição. Quanto maior for o nosso número, mais efetivamente poderemos apresentar o nosso parecer aos formuladores de políticas educacionais. 


Iniciaremos estas ações no primeiro trimestre de 2017.
Com os melhores cumprimentos, e esperando que este apelo possa contribuir para proteger a infância, em conformidade com a dignidade das crianças –


Prof. Dr. med. Dr. phil. Manfred Spitzer, Dr. med. Dr. HC Michaela Glöckler, Dr. med. Silke Schwarz, Elisabeth von Kügelgen, Dagmar Scharfenberg, Beate Wohlgemuth, Oliver Langscheid, Michael Wetenkamp, Frank Linde, Johannes Stüttgen, Helga Kühl, Angelika Fried

e os 600 participantes do simpósio "Direito à Infância" realizado pela Associação dos Jardins de Infância Waldorf em 19 de Novembro de 2016 em Hannover/Alemanha.

Fig. 14: © Tatjana Posavec

A seguinte petição decorre atualmente na Alemanha, organizada pela Federação dos Jardins de Infância Waldorf. Mas existe a possibilidade da ELIANT apoiar uma ação semelhante em outros países, após estar formada uma iniciativa para esse efeito. De qualquer maneira, agradecemos pela sua assinatura pessoal e pelo apoio assim demonstrado à petição.